HQ e Fanzines nos cursos universitários de Graduação e Pós-graduação em Educação: O caso da UMESPElydio dos Santos Neto e Marta Regina Paulo da Silva
As últimas décadas viram diminuir o preconceito contra as histórias em quadrinhos (HQ) no Brasil e, em 1997, o documento “Parâmetros Curriculares Nacionais”, das primeiras séries do ensino fundamental, recomendou o trabalho com quadrinhos nas escolas. No que diz respeito aos adultos cresce o número de títulos das publicações a eles destinados e cresce também a presença das HQ nas livrarias. E quanto à presença dos quadrinhos no mundo universitário? Por que não utilizá-las também no Ensino Superior? Neste sentido, o objetivo desta pesquisa é verificar a viabilidade da utilização das HQ no ensino superior.
Assumimos as seguintes perguntas como norteadoras da investigação: As HQ são adequadas para o uso na formação universitária? Quais os limites e possibilidades desta utilização? Temos como referências teóricas no campo da educação e filosofia: Paulo Freire, Emília Ferreiro, Giorgio Agamben, Michael Apple e Antonio Nóvoa; no campo da comunicação e HQ: Marshall McLuhan, Álvaro de Moya, Moacy Cirne, Antonio Luiz Cagnin, Will Eisner, Thierry Groensteen e Scott McCloud; no campo da educação e HQ: Waldomiro Vergueiro, Flávio Calazans e Gazy Andraus.
Nesta pesquisa foram analisadas duas experiências de trabalho com as HQ no ensino superior na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), sendo uma num curso de graduação em Pedagogia e outra num curso de Mestrado em Educação. A partir desta análise foi possível observar que muitos estudantes não têm a cultura da leitura de HQ, chegando mesmo a desconhecer sua linguagem; segundo eles suas dificuldades com as HQ passam pelos preconceitos construídos na própria formação; quando colocados ao desafio de terem de criar suas próprias histórias, apresentam sentimentos e atitudes contraditórios, pois ao mesmo tempo em que há estranhamento e resistência, há também curiosidade em experimentar; assim, superado o primeiro momento de preconceito, terminam por transformar tal trabalho em uma experiência prazerosa e criativa, aberta ao próprio imaginário e com contribuição positiva ao processo de construção do conhecimento. A experiência na graduação e pós-graduação permite afirmar, corroborando os estudos teóricos de Andraus, que as HQ podem ser uma linguagem adequada para o trabalho no ensino universitário, mas exigem um trabalho inicial, a ser realizado com os estudantes universitários, de re-significação de sua importância como uma das maneiras de comunicação criadas em nossa cultura.




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