Espaço e tempo: concepções a partir das Histórias em QuadrinhosLeonardo Pregnolato
Analisando os quadrinhos “O Boto cor-de-rosa da Amazônia”, de Dominique Serafini, e “Aldebaran”, de LEO, é possível apreendermos conceitos importantes da História e da Geografia que permitem o uso destas HQs como ferramenta de ensino para essas disciplinas. A idéia de espaço, como trabalhada na Geografia, é perceptível logo nas primeiras páginas das HQs: a paisagem que retratam é fundamental para o enredo.
Em “Aldebaran” o espaço é entendido como um “palco” (independente do homem, concepção da Geografia Clássica) enquanto em “O Boto cor-de-rosa da Amazônia” o espaço já é entendido como construção humana contendo, portanto, cultura (concepção contemporânea). Mesmo com concepções de espaço diferentes, ambos os quadrinhos expressam o espaço como recurso (as personagens dependem do meio em que estão inseridos para sobreviver) ao mesmo tempo em que apresentam contradições ao expressar concepções conservacionistas de uso do espaço (homem e natureza devem conviver juntos, de modo a encontrar a "sustentabilidade") e concepções preservacionistas (a natureza deve estar isolada do homem para que não seja “degradada”), refletindo o pensamento ambientalista contemporâneo. A noção de tempo se expressa pelo contexto que em que são ambientadas as histórias: as ações das personagens só fazem sentido em seu lócus temporal. Assim, concluímos que estas HQs oferecem potencial para análise histórica e geográfica se forem encaradas, considerando as suas especificidades enquanto expressão artística e enquanto linguagem, como fonte de pesquisa.
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